segunda-feira, 27 de abril de 2015

Leitura Crítica da Mídia: Rompendo os rótulos



CCHR International (sigla em inglês para Comissão dos Cidadãos para os Direitos Humanos) lançou um vídeo para criticar os diagnósticos psiquiátricos abusivos em crianças e adolescentes. Entidade  com sede em Los Angeles (EUA) a CCHR denuncia o grande volume de diagnósticos pouco embasados que recaem sobre crianças e jovens, o que os leva a tomar medicamentos que têm efeitos sobre sua saúde.

domingo, 5 de abril de 2015

Leitura Crítica da Mídia: A CRISE DA ÁGUA


Diante das informações desencontradas - ou da falta de informações - sobre a realidade da crise da água em São Paulo, estas iniciativas ajudam a entender o que está acontecendo:


Criado em outubro de 2014 pela psicóloga Camila Pavanelli de Lorenzi, o Boletim da Falta D'Água começou a ser feito numa noite em que ela se encontrava cansada de buscar, sem encontrar, respostas sobre a situação real da falta de água em São Paulo. Camila passou a reunir todas as notícias encontradas sobre o tema e postou no Facebook. Ela explica nesta entrevista para a jornalista Eliane Brum, do jornal El País.






Os coletivos de jornalismo independente  Mídia Ninja e a Ponte se uniram para documentar o colapso da água criando “a conta da água” na internet.








A Aliança pela Água é uma coalizão de sociedade civil para contribuir com a construção de segurança hídrica em São Paulo. Tem com meta de longo prazo implantar um novo modelo de gestão da água, que garanta um futuro seguro e sustentável para os moradores de São Paulo.




Leitura Crítica da Mídia: Criolo e o racismo



Ao lado do pai, Cleon, o rapper Criolo, nascido na Favela das Imbuias, zona sul de São Paulo, fala sobre desigualdade social, sobre a falta de perspectiva dos jovens da periferia, preconceito e racismo. E conta como seu pai, ao levá-lo para ser socorrido num hospital após um acidente doméstico, foi acusado pelos próprios funcionários do hospital de tê-lo sequestrado.

Por Claudia Belfort e André Caramante (PONTE Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos)

Imagens e edição: Gabriel Uchida e Leonardo Lepri



Nesta entrevista para a jornalista Marília Gabriela (2012), Criolo conta um pouco de sua história:







Andar Como Terrorista 
Criolo


Desta vez o canhão não será necessário,
Andar como terrorista.. fortemente armado!
Desta vez o canhão não será necessário,
Andar como terrorista.. fortemente armado!
Desta vez o canhão não será necessário,
Andar como terrorista.. fortemente armado!

Fica na moral
Rap nacional original
É da favela
Eu moro nela
Não viro as costas
Lá no terrão garotos jogando bola
Quem vende uma droga
banca o macarrão com frango no domingo
Se tá me ouvindo? é natural
Uma verdinha..
A tardinha
Isto é relato não é apologia
O crime não compensa
Não caia numa fria
Os ladrões, os traficantes cada um tem sua biblia
O tamanho da carta profundidade da ferida
Varios na área foram presos
Rua três é o desepero grajaú é o lampejo
Quero a sul sem pesadelo
Sistema só da desprezo
Pega o cano e senta o dedo

Ai mermao.. para com isso..
Uma vitória do corinthians
Me deixa relaxado
Raxo o coco com sabotage nego doido retardado
As autoridades..
não querem isso
Nossa amizade representa um perigo
Quem senta o dedo não pensa duas vezes
Mata ou morre com a pá do mundo dos prazeres
Pra aqueles, que bancam o terror la na favela
E banca policial que mata, por um salario de merda

Rima que não da tregua
tô farto dessa guerra
Plantam a miseria e o terror la nas favelas

Desta vez o canhão não será necessário,
Andar como terrorista.. fortemente armado!
Desta vez o canhão não será necessário,
Andar como terrorista.. fortemente armado!

4,3,2,1 bum a bomba foi ativada
Uma explosão de rimas onde pega faz desgraça
Invade, invada, invasão vamo invadi
Por todos os lados otarios
Vo perseguir
Quem arquiteta vingança colabora com a matança
A morte vai na ciranda
Quem tem dois já se levanta
Arma de fogo arma branca
Matam homem matam mulher
Matam velhinho matam criança
Matam até esperança
"jota lee"? tá na lembrança
Deixe cuide das almas dos inocentes
Vitimas da ignorancia
Ai maluco
Enquanto ignorancia
Cocaia não da boi sobe até mosca de boi
Vacilou você já foi
não da tempo nem de fala um oi
O imbecil que atirou levou a vida do meu amigo
Se entrou na mira é seu inimigo
A cegueira do ódio me leva pro desatino
cadê o safado me mostrem
Que eu desativo
Mentalidade do assassino
Carnificina que concluiram
Presente não vale nada
Que o futuro não seja vala
Estou falando serio
não ouse em pensar o contrario
não dorme e colabore com a pasta do obituario

Deixe o berro de lado..
Deixe o berro de lado..
Deixe o berro de lado..

Armamento pesado
Na web conectado
Cabeça vazia sendo oficina do diabo
Um pouco de maldade já faz o maior estrago
Devastação do soberbo, demonio com cavalo alado
Delicado.. assunto delicado..
Gramatura de papel couche
Se o trapo é de touche
Quem desafia pode morre
Quem aceita vai perecer
O tempo vai te dizer
Só os verdadeiros vão viver
Os da moda soquem soquem o microfone
No rabo!

Canto rap por aqui
Ele mais que um desabafo
a gente modifica a dor
Depende do orador
Miseravel do locutor mediocre que destorce os fatos

Camisa de força não me segura
Mordaça aqui não me anula
Minha freestyle só tortura
Minha mente você atura
Composições do kama sutra, complexas..
Eu te esculacho

Quem não da valor a vida esta tremendamente equivocado
Pelo menos por um dia deixe o bérro de lado
Niquilado que aniquila miolos
(mãos pra cima) ficam esparramados

Até quando a ferramenta resolverá seus desagrados
Até quando a violência reinará neste condado
Sangue jorra, tô fora, paz é o que importa tô ligado
O perigo mora ao lado, faço um ato solidário
Pelo menos por dia que o canhão não seja necessário





Leitura Crítica da Mídia: REJUIND - Rede de Juventude Indígena


A página da Rede de Juventude Indígena (REJUIND) no Facebook foi criada como ferramenta para facilitar a informação e diálogo entre a diversidade de juventudes indígenas.


A REJUIND foi criada durante o I Seminário Nacional de Juventude em 2009, em Brasília.

 
Tem como objetivos: 


- Divulgar informações sociais, culturais, educacionais, ambientais e políticos à Juventude Indígena;

- Informar assuntos relevantes dos marcos legais nacionais e internacionais (Direitos dos Povos Indígenas);

- Possibilitar à Juventude Indígena novos conhecimentos que possam contribuir com iniciativas em seu povo e/ou organização;

- Incentivar a Juventude Indígena para contribuir com seu povo/ organização/movimento indígena, no quesito valorização cultural, ambiental, e de maneira inter-geracional; 

- Mobilizar e interagir a Juventude Indígena com outras juventudes indígenas – nacionais e internacionais, através de intercâmbio de ações;

- Demonstrar que as novas tecnologias podem ser usadas como estratégias de atuação em prol dos Direitos dos Povos Indígenas.

Contato: rejuind@gmail.com

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Leitura Crítica da Mídia: Trabalhadoras Domésticas




Parte da série jornalística "Trabalho doméstico, Trabalho decente", este especial retrata a realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas do Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai na busca por direitos, respeito e dignidade. O documentário visibiliza oportunidades e desafios dos países para a promoção dos direitos econômicos e do empoderamento das mulheres.

Esta série foi produzida pela TV Brasil Internacional e contou com o financiamento e assessoria técnica da ONU Mulheres (antigo UNIFEM) através do Programa Regional Gênero, Raça, Etnia e Pobreza, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Guias de Comunicação

"Uma palavra não é só uma palavra, ela pode machucar, 
isolar, excluir,  ferir, matar, confundir, prejudicar, enganar"

(Campanha do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids/Bahia)


Sugestões de guias e manuais para facilitar a comunicação e evitar a propagação de preconceitos e informações equivocadas. Confira:




Guia das Migrações Transnacionais e Diversidade Cultural para Comunicadores  (2013) - Organizado por Denise Cogo e Maria Badet, o guia nasceu da iniciativa de um grupo de pesquisadores de universidades do país e do exterior, como UFRJ, Universidade Vale dos Sinos (RS), Universidade Católica de Brasília e a Universidade Autônoma de Barcelona. Dentre as preocupações e objetivos do Guia estão: reconhecer o crescimento das migrações transnacionais e de seus desdobramentos nas relações com a sociedade; valorizar, sem idealizar, a diversidade cultural e as contribuições econômicas, políticas e socioculturais dos migrantes; contribuir para a ampliação do debate social sobre o tema; situar o papel preponderante da mídia na construção da visibilidade do assunto, entre outros. Traz dados, conceitos e recomendações para o acompanhamento das migrações, e sugestões de contatos e fontes na área.

Baixe o guia completo aqui.




Manual para o Uso Não Sexista da Linguagem – O que bem se diz bem se entende (2014) - Elaborado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres/RS em parceria com a Secretaria de Comunicação, com a Casa Civil, a Repem-Lac e o grupo de trabalho instituído através do decreto nº 49.995 de 27 de dezembro de 2012. Tem como objetivo proporcionar tratamento equitativo entre mulheres e homens a partir da utilização da linguagem sem generalizações, evitando a aplicação sexista do discurso.

Baixe o manual completo aqui.






Guia para jornalistas com referências e informações sobre enfrentamento ao tráfico de pessoas (2014 – Repórter Brasil, Ministério da Justiça e UNODC) – baseado em entrevistas com mais de 20 especialistas, entre autoridades, acadêmicos e representantes da sociedade civil, reúne recomendações para a cobertura e acompanhamento, incluindo sugestões de fontes, datas importantes e o marco legal, com indicações da legislação e de tratados internacionais ratificados pelo Brasil.

Baixe o guia completo aqui.





Tráfico de pessoas na imprensa brasileira (2014 – Repórter Brasil, Ministério da Justiça e UNODC) – tem como base a análise de 655 textos publicados entre 1º de janeiro de 2006, ano de lançamento da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e 1º de julho de 2013, ano do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O estudo indica que o tema ainda não recebe atenção suficiente por parte da mídia.

Baixe o documento completo aqui.






Violência Sexual - Guia OnLine para Jornalistas - mini-guia elaborado pela ANDI - Comunicação e Direitos com uma seção tira-dúvidas de conceitos básicos sobre abuso e exploração sexual. Traz ainda indicações sobre leis relativas ao assunto, sites para pesquisa e documentos de referência e dicas para tornar mais segura e efetiva a apuração ou produção das reportagens.

Acesse aqui.





Outros guias úteis para comunicadores:



Lei de Acesso a Informações Públicas – O que você precisa saber - produzido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) com financiamento do Programa Internacional para Desenvolvimento da Comunicação da Organização das Nações Unidas para Educação, Comunicação e Cultura (UNESCO). O material resume os principais pontos da Lei de Acesso (nº 12.527/2011) em linguagem direta e acessível. Traz também conteúdo detalhado sobre pontos-chave como transparência ativa, recursos e prazos de sigilo, apontando legislações relacionadas.

Baixe o guia completo aqui.







Manual de Segurança para Cobertura de Protestos (2014) guia elaborado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) a partir de entrevistas com repórteres agredidos, presos ou hostilizados durante os protestos que tomaram as ruas a partir de junho de 2013. O manual da Abraji compila recomendações de diversos manuais internacionais para situações de passeatas e manifestações. 


Baixe o manual aqui


























Leitura Crítica da Mídia: Carnaval

Reportagem do jornalista Ricardo Noblat contextualiza o carnaval do Rio de Janeiro, poucos dias antes de a Beija-Flor ganhar o título de campeã 2015. E em seguida, leia reportagem de 100Reporters de 2012 que acrescenta mais informações sobre a Guiné Equatorial, país homenageado pela escola de samba que foi a vencedora do carnaval no Rio de Janeiro. Ao final, reportagem do Portal Fórum mostra um vídeo com o protesto do coletivo Projetação denunciando as atrocidades cometidas pelo presidente da Guiné Equatorial:



Presidente da Guiné Equatorial dá R$ 10 milhões para desfile da Beija-Flor que exalta o país

Um dos ditadores mais cruéis do mundo frequenta com discrição o carnaval do Rio e assiste aos desfiles há pelo menos 10 anos

11/02/2015 5:00 / ATUALIZADO 11/02/2015 7:52



O GLOBO - O que Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 72 anos, ditador há 35 anos da Guiné Equatorial, o chefe de Estado há mais tempo no poder na África, e o oitavo governante mais rico do mundo, segundo a revista “Forbes”, tem a ver com o Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, campeã 12 vezes do Grupo Especial do carnaval carioca e a maior campeã da era do Sambódromo?

Confira na próxima segunda-feira quando a escola entrar na avenida às 23h40 em ponto, depois da Portela e antes da União da Ilha, com o enredo “Um griô (homem sábio) conta a História: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade”. Nunca antes no carnaval do Rio uma escola recebeu tanto dinheiro de patrocínio — R$ 10 milhões, injetados por Obiang, que assistirá ao desfile no Sambódromo.

Capricho de um ditador que governa por decreto um pequeno país localizado na África Ocidental, formado por duas ilhas e um pedaço estreito de continente, e habitado por escassas 700 mil pessoas? Sim. Mas ele pode agir assim. A Guiné Equatorial é um país miserável, mas é também o terceiro maior produtor de petróleo da África. Só perde para a Nigéria e Angola. Obiang concentra em suas mãos todos os poderes e governa por decreto. Faz o que quer.

FREQUENTADOR DISCRETO DO SAMBÓDROMO

Ai de quem o desafie. Seu tio, Francisco Macías, ditador anterior a ele, desafiou Obiang que o ajudava a governar. Pois acabou deposto no segundo semestre de 1979 e fuzilado pelo sobrinho. Foi um dos golpes mais sangrentos da África. Desde então o medo se abateu sobre o país. A ponto de as pessoas fugirem se alguém lhes aponta uma inocente máquina fotográfica. Receiam estar sendo alvo da curiosidade do serviço de espionagem do governo.


Há pelo menos 10 anos que Obiang frequenta com discrição o carnaval do Rio e assiste ao desfile das escolas. Ora se hospeda em um apartamento luxuoso de Ipanema comprado à vista. Ora na suíte mais cara do Copacabana Palace. Vem sempre acompanhado de parentes — entre eles seu primogênito Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido por Teodorin, um dos vice-presidentes do país. O mais forte deles, escolhido para suceder ao pai um dia.

Foi em um desses carnavais que Teodorin convenceu o ditador a pagar caro por um show particular contratado à Beija-Flor. Um grupo de músicos e de passistas se exibiu no camarote de Obiang no Sambódromo. Ali nasceu a ideia de patrocinar um desfile da escola.

No ano passado, a Beija-Flor teve prejuízo com o enredo que homenageou José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Teodorin soube e ofereceu o patrocínio do seu governo.

De princípio, nada demais. O patrocínio de escolas de samba tornou-se comum. Em 1985, pela primeira vez, uma entrou na avenida com o enredo pago — Império Serrano, com “Samba, suor e cerveja”. Cervejarias meteram a mão no bolso. Em 1994, o governo do Ceará pagou o desfile da Imperatriz Leopoldinense, que cantou as belezas daquele estado. Em 2006, a estatal venezuelana de petróleo bancou o enredo da Vila Isabel. Este ano, além da Beija-Flor, Salgueiro, Unidos da Tijuca e Portela desfilarão com carnavais patrocinados.

Fundada como bloco em 1948, promovida a escola em 1953, a Beija-Flor carrega duas marcas — uma boa, a outra ruim. A ruim: exaltou as realizações da ditadura militar de 64 durante os carnavais de 1973, 1974 e 1975 (“Educação para o desenvolvimento”, “Brasil ano 2000” e “Grande decênio”). Era a época do Milagre Brasileiro, do “Ame-o ou deixe-o”. O general Garrastazu Médici presidia o país. Que colecionava casos tenebrosos de torturas e assassinatos.

A marca boa: foi na Beija-Flor que Joãosinho Trinta promoveu a maior revolução do carnaval carioca. Ele havia sido bicampeão em 1974 e 1975 com Salgueiro (“O Rei de França na Ilha da Assombração” e “O Segredo das Minas do Rei Salomão”). Em seguida foi tricampeão com a Beija-Flor (“Sonhar com Rei dá Leão”, Vovó e o Rei da Saturnália na Corte Egipciana” e “A criação do mundo na tradição nagô”).

A revolução: o desfile das escolas passou a privilegiar o luxo, a ostentação, os gigantescos carros alegóricos em detrimento do samba no pé. Os puristas subiram nas tamancas, mas de nada adiantou. Hoje, para manter aberto seu barracão durante o ano inteiro e entrar no Sambódromo com chances de vencer o desfile, uma escola gasta, por baixo, algo como R$ 5,5 milhões. Graças a Obiang, a Beija-Flor espera ir para a cabeça.

(continua)

Leia a REPORTAGEM COMPLETA aqui.


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O ditador e seus amigos

POR 100REPORTERS/ KEN SILVERSTEIN*

3 DE ABRIL DE 2012





Como o dinheiro do presidente da Guiné Equatorial comprou apoio nos EUA – de lobistas, advogados, políticos e ONGs. Até a luva brilhante de Michael Jackson entrou na trama

Por mais de uma década, o ditador da Guiné Equatorial, país na África subsaariana, e a sua família gastaram uma fortuna nos Estados Unidos, comprando desde imóveis até roupas em lojas como Dolce & Gabanna e Louis Vuitton. No final de outubro do ano passado, o governo americano finalmente decidiu agir para refrear as compras do círculo íntimo do presidente Teodoro Obiang Nguema; o Departamento de Justiça abriu um processo pedindo o confisco de dezenas de milhões de dólares em bens do filho e herdeiro de Nguema.

A petição, obtida pelo site 100Reporters, parceiro da Pública, afirma que Teodorin, filho do ditador e ministro de florestas do país, usou recursos provenientes de lavagem de dinheiro para comprar uma mansão de US$30 milhões em Malibu, em Los Angeles, um jatinho particular e até relíquias que pertenceram a Michael Jackson – como a luva encravada de cristais usada pelo astro pop na turnê do álbum “Bad”.

Segundo a petição, oficiais do alto escalão do regime de Obiang “adquiriram uma enorme fortuna” através de métodos como “extorsão, Teodoro Obiang Nguema, presidente da Guiné Equatorialapropriação indébita, roubo e desvio de verbas públicas”. Ao anunciar a abertura do processo, o assistente da promotoria Lanny Breuer afirmou: “Estamos enviando uma mensagem clara: os Estados Unidos não servirão de esconderijo para a riqueza de líderes corruptos”.

Não é bem assim. Afinal, a base da riqueza do regime de Obiang é o petróleo explorado por empresas americanas como ExxonMobil e Amerada Hess. Com uma produção estimada de cerca de 300 mil barris por dia, a Guiné Equatorial é o terceiro maior produtor na África subsaariana. A ação do Departamento de Justiça – que vem muito depois de dois relatórios do Senado detalharem, já em 2004, a apropriação da renda do petróleo pelo clã de Obiang – confirma a reputação do regime como um dos mais corruptos do mundo.

Mas passou quase desapercebido que tamanha corrupção tenha sido facilitada por agentes dos Estados Unidos: empresas de energia que enriqueceram Obiang fazendo acordos mais que amigáveis com ele; banqueiros e contadores que ajudaram o clã a lavar seu dinheiro; lobistas generosamente pagos que fizeram propaganda para ganhar apoio político nos EUA; e até duvidosos grupos pró-democracia que, com financiamento das petroleiras, enviaram observadores para validar eleições fraudulentas no país africano.

A maior parte dos facilitadores do regime não fizeram nada ilegal; porém, sem cerimônia, deram proteção política ao regime de Obiang. Apenas seus intermediários financeiros podem ser vir a ser escrutinizados legalmente – além de eticamente.

“Corrupção em grande magnitude não é apenas um problema local, é internacional, pois muitas vezes envolve múltiplas jurisdições”, explica Mark Vlasic, professor de direito na Universidade de Georgetown e ex diretor da Iniciativa para Recuperar Bens Roubados, do Banco Mundial.
“Oficiais corruptos não usam o PayPal para fazer transações com largas somas em dinheiro”, diz Vlasic. “Eles precisam de pessoas que os auxiliem, e esses facilitadores também têm que ser punidos pelos crimes”.

Auxílio classe A

Ainda hoje, o herdeiro Teodorin consegue obter auxílio Classe A nos EUA para resolver seus crescentes problemas. Advogado de escritórios renomados como Cleary Gottleib estão sempre à mão para lidar com seus problemas legais.  Tanto ele quanto seu pai pagam uma das maiores empresas de Relações Públicas em Washington para polir a sua imagem. Documento judiciais e entrevistas conduzidas pelo 100Reporters mostram que Teodorin emprega também intermediários americanos para constituir empresas para ele, gerir suas transações financeiras e atuar como testas-de-ferro.

Até 1990, ninguém prestava muita atenção à Guiné Equatorial. Era um dos países mais pobres e isolados do mundo. Obiang, que chegara ao poder através de um golpe de Estado em 1979, era internacionalmente considerado um pária.

Mas isso mudou no começo dos anos 90, quando a Walter International, uma empresa sediada do Texas, começou a explorar um campo de gás natural no país. Para conseguir a permissão de exploração, a Walter (que depois conseguiu vender seus direitos sobre a operação por nada menos que US$ 46 milhões) financiou os estudos de Teodorin em um curso de inglês na universidade de Pepperdine, em Malibu.

Para seu desgosto posterior, a Walter concordou em pagar todas as despesas de Teodorin, despesas que chegariam a US$ 50 mil em cinco meses, incluindo excursões para compras luxuosas em Beverly Hills e uma suíte no hotel Beverly Wilshire.

A entrada da Walter International na Guiné Equatorial foi negociada com o então embaixador americano, Chester Norris, que mantinha uma relação amigável com o regime de Obiang. Tanto que, depois de se aposentar na carreira diplomática em em 1991, ele virou representante oficial do presidente da Walter International.

O governo de Obiang gostava tanto de Norris que deu o seu nome a uma rua em uma área residencial de luxo para executivos da indústria petroleira, na capital do país.

Apesar do conhecido histórico de repressão política do governo, Norris diz acreditar que Obiang é um líder “bem intencionado”, embora reconheça que não havia feito o suficiente para ajudar os pobres, e que “deveria estar construindo casas, escolas e hospitais”.

A entrada das petroleiras

O verdadeiro frenesi a respeito de Obiang teve início em meados da década de 90, quando empresas americanas descobriram grandes reservas de petróleo no litoral do país que governa. Meses antes, a embaixada americana local havia fechado suas portas, em parte porque o novo embaixador John Bennett, sucessor de Norris no cargo, foi menos indulgente com os excessos do regime, e passou a ser ameaçado de morte por suas críticas às violações contra direitos humanos.

Assim, as petroleiras passaram a ajudar Obiang, na esperança de melhorar as suas relações com os Estados Unidos. Em 1996, antes da sua fusão com a Exxon, a Mobil ajudou a custear a viagem de observadores da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais por ocasião das primeiras eleições sob o governo Obiang. O conselho executivo da fundação, na época, incluía Peter G. Kelly, um lobista que representava o regime de Obiang em Washington.

A fundação criticou a eleição – Obiang ganhou com 98% dos votos – mas não tanto quanto a maioria dos observadores internacionais independentes. No ano seguinte, ela enviou uma delegação ao país que concluiu que, apesar dos problemas, havia “oportunidades para o governo, para os partidos políticos e para a comunidade internacional trabalharem conjuntamente em prol da ampliação do espaço democrático”.

Quatro anos depois, a Mobil contratou uma ONG chamada Instituto para Estratégias Democráticas para enviar observadores às eleições municipais. De novo, observadores independentes criticaram veementemente aquelas eleições, mas a equipe paga pela indústria de petróleo apresentou uma visão diferente, relatando que as eleições foram livres e justas.

(continua...)

Leia A REPORTAGEM COMPLETA aqui. 

Ken Silverstein é bolsista da Open Society Foundation e editor contribuinte da Revista Harper’s.

Clique aqui para ler o texto original, em inglês, no site 100Reporters.

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Beija Flor é campeã do Carnaval com polêmico patrocínio de ditador


fevereiro 18, 2015 19:16

Escola recebeu apoio da Guiné Equatorial que, segundo Anistia Internacional, acumula extensa lista de denúncias de violações a direitos humanos

POR REDAÇÃO 

A escola de samba Beija Flor foi eleita campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. O título vem após o polêmico patrocínio da agremiação, que teria recebido R$ 10 milhões do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema.

A escola levou à Sapucaí um enredo que homenageia o país africano governado por Obiang há 35 anos. Segundo a Anistia Internacional, Guiné possui uma extensa lista de denúncias de violações de direitos humanos, como torturas, execuções, prisões arbitrárias e repressão violenta a protestos.

Enquanto Obiang seria o oitavo líder mais rico do mundo, de acordo com revista Forbes, com uma fortuna avaliada em US$ 600 milhões, a população é uma das mais pobres do continente africano.

À BBC, o assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, Mauricio Santoro, disse que “Obiang vem há muitos anos ao Carnaval do Rio de Janeiro, e tem inclusive um apartamento de luxo na cidade”.

Santoro afirmou também que o presidente da Guiné representa o “estereótipo tradicional” do ditador africano: à frente de “um regime fechado, extremamente violento, que prende jornalistas e mantém todo tipo de violação de direitos humanos imaginável”.

A Beija Flor não confirmou os valores do patrocínio, mas em nota, disse que recebeu “apoio cultural e artístico do governo da Guiné Equatorial”. “Se o enredo da Beija-Flor para 2015 os incomoda tanto, porque então não começaram essa ‘batalha’ contra a Guiné Equatorial em 1974? A partir deste ano o Brasil expandiu suas relações diplomáticas com o país africano. Porque não bradaram pela exclusão da Guiné da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa?… É muito importante que o corpo de julgadores, escolhido pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), não realize um julgamento político da Beija Flor. A isenção é fundamental”, diz nota da escola.

Críticos lembraram que não foi a primeira vez que a escola exaltou ditaduras. O “equívoco” teria sido cometido em 1973, 1974 e 1975, com os enredos Educação para o desenvolvimento, Brasil ano 2000 e Grande decênio, respectivamente, que elogiava os feitos da ditadura militar brasileira, desprezando os assassinatos, torturas e outras violações dos direitos humanos a opositores do regime.

Neste ano, representantes do governo de Guiné Equatorial acompanharam o desfile num camarote. Do lado de fora, o coletivo Projetação denunciou o patrocínio recebido pela escola, que exaltou uma ditadura. Veja abaixo.




Leia a REPORTAGEM COMPLETA aqui.